• J.E. Veiga

Planeta amável, planeta solitário

Uma editora de guias de viagem chamada Lonely Planet, planeta solitário. Sempre me pareceu deslocadamente poético.


O nome veio de uma canção de Matthew Moore com as palavras "lovely planet", planeta amável, na letra. O casal australiano que fundou a editora na década de 1970, Maureen e Tony Wheeler, cantava errado.


Ou seja, não tem nada de poético é só uma piada interna. Se fosse uma editora brasileira, talvez se chamasse Trocando de Biquini Sem Parar.


A Terra não é um planeta solitário. Só no Sistema Solar orbitam outros sete ou, nas contas das viúvas de Plutão, oito. Lá fora, estimam os astrônomos, existem outros 100 bilhões.


Parece pouco. Se o universo for mesmo infinito, a quantidade de planetas não deveria também ser infinita? Bem, talvez o espaço destinado aos planetas dentro do universo seja limitado. O infinito restante pode uma espécie de zona neutra e árida. Sem planetas, sem nada. Uma parte bem solitária do universo.


Seja como for, parece que só conhecemos, de vista (ou por cálculo), uns 500 planetas extrassolares. Os outros 999.999.999.500 seguem a uma distância segura do olho-gordo humano.


São possibilidades infinitas, mesmo dentro de um conjunto restrito. E, claro, ainda podem haver as tais realidades paralelas com um sem-fim de versões desses 100.000.000.001 de planetas agora incluí a Terra na conta.


Mas procurar outros planetas é uma forma de olhar e não precisa ser para o céu. Não precisa ser para fora, nem para o futuro. Procurar outros planetas é encontrar as tais possibilidades infinitas no nosso aparentemente tão restrito e espaço-tempo.


Outros Planetas não se limita à realidade, mas também não mente. Outros Planetas devaneia para ser, foge para estar.

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